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quinta-feira, 9 de maio de 2019

PSICOLÓGICO ANTES, DURANTE E DEPOIS DO CÂNCER

Bom dia pessoal!!

Hoje vou falar sobre como fica o psicológico antes, durante e depois do CÂNCER.

Vou falar aqui do antes do tratamento, mas conciênte que se tem câncer.
Bom antes de começar a tratar.
Fiz uma pesquisa junto a várias colegas de tratamento, quando já se sabe que existe o câncer, é um periodo muito tenso, porque não temos a minima noção de como será o tratamento, se haverá resultado, se vamos passar mal, se as pessoas vão ajudar, se minha familia vai entender, tudo quanto é pensamento negativo vem a mente, mesmo que nos esforçamos a pensar positivo, o medo é grande, mesmo tendo fé, mesmo com varias pessoas a sua volta, falando coisas boas. Positívas e amigas.
Porque isso?
Porque nos enxergamos de frente com a morte.
A muito tempo as pessoas cultivaram a idéia que quem tem câncer vai morrer.
E isso vem mudando sim, mas beeemmm devagar.

ANTES:

Ainda nos surpreendemos ate mesmo com profissionais da saúde que nos atendem, para vocês terem uma idéia, quando descobri que tinha nódulos no Baço, o profissional que me atendeu a primeira vez, no exame de ultrassom do abdomen total, colocou a mão nas minhas costas e com o olhar baixo me disse, você sabe sua situação quanto aos nódulos no Baço?
Então eu disse, não sei não Senhor, qual é?

Então ele me encaminhou ao médico pessoalmente, sinceramente fiquei bem assustada, parecia que meus dias estavam no fim.
Ao chegar na frente do médico, o mesmo que ja havia me tratado com arrogância no mesmo dia, olhou os exames e também com olhar baixo me disse, vou te encaminhar ao Oncologista, você tem que fazer mais exames seu Baço esta muito grande. Este mesmo médico que brigou comigo quando insisti pelo exame de ultrassom pois estava com muita dor abdominal.

Então sai aquele dia do hospital arrassada, certa que algo muito ruim estava acontecendo, mas sem nenhuma noção do que pudesse ser.

Bem, sei que isso não acontece em todos os casos, pois na maioria das vezes eles mal olham para nós, isso também aconteceu comigo logo depois.

DURANTE:

Minha primeira experiência como já contei em outros posts foi a cirurgia.
Retirada do Baço total doí muito e é um trauma saber que esta tirando um órgão.
A primeira quimioterapia.
Quando estamos nos preparando para as  quimioterapias passamos com vários profissionais, psicologo, enfermagem, então chega o dia.
A enfermeira vem e explica tudo como será, os sintomas que você pode sentir e quando deve imediatamente pedir ajuda. Porém o tempo todo estão bem próximos, principalmente na primeira quimioterapia.
Então a técnica de enfermagem vem e procura uma veia. Tem que ser uma veia calibrosa e grossa, de preferencia no braço, poucos gostam de pegar na mão, pelo menos nos hospitais que fiz, e em alguns casos dependendo do tipo de quimioterapia, temos que fazer internados, principalmente quando o tipo de quimioterapia exige que tome soro junto, dependendo da toxidade, as vezes é necessário se internar toda vez que vai fazer quimio.

Na minha primeira quimio, senti a cabeça pesada, tontura, mas não senti enjoo. Nas primeiras quimios que fiz não fiquei internada, tomava a quimio durante 6 h e ia para casa com a minha mãe. Comia tudo e não passava mal. Essa foi a temida quimio vermelha, que derrubou todo meu cabelo mas não me deu nadinha de enjoo. Então nesta primeira experiência, o trauma de perder o cabelo foi difícil, mas o fato de não ter enjoo me ajudou muito a enfrentar com mais tranquilidade.

Já não posso dizer isso do segundo tipo de quimio que fiz que foi branca, essa me detonou, deu enjoo demais, caiu todo cabelo de novo, e assim a cada ciclo (fiz 7 ciclos) era uma experiência diferente. Algumas davam muito cansaço, dor, febre, enjoo, mal estar... E tudo isso deixa nosso psicológico detonado, neste período não tinha paciência para nada, então ficava muito calada, arredia, sozinha. Não queria ser grossa com as pessoas, então me afastei.
Isso não tem jeito, tem que ter paciência e esperar, os remédios da quimioterapia são responsáveis por esta depressão toda, juntando também com a insegurança de não saber se esta havendo resultado...

Confiar em Deus, isso todas nós fazemos, mas só quem esta nessa batalha sabe como é difícil controlar os pensamentos, eu comecei a tomar Serotonina para equilibrar esses momentos de tristeza e depressão, isso me ajudou muito.

DEPOIS:

Então você fez o  tratamento, fez os exames e esta tudo bem.
Será?
Sim esta, mas sua cabeça ainda vive aquele sofrimento todo, aos poucos as coisas vão voltando ao normal.
Estes dias me peguei falando "O Câncer que eu tenho".
Meu filho então, com todo carinho me corrigiu.
"Não mãe, "O Câncer que você teve".
Você não tem mais, Graças a Deus.
Amém!

Bom gente, tem muito mais coisas que as pessoas vivem quando se tem essa triste doença.
Mas o principal de tudo isso é o que aprendemos com tudo.
Eu conheci pessoal maravilhosas.
Me decepcionei com pessoas que pensei serem amigas.
Me surpreendi com pessoas que nem lembrava mais.
Chorei emocionada com o carinho das pessoas.
Me sentir amada por uns e despresada com outros.
Aprendi demais comigo mesma. A ter paciência, empatia, ser sincera, amiga. Aprendi a dizer não, aprendi a esperar, ouvir e entender.
Hoje eu sou outra pessoa, mais amiga, com menos medo de viver, com mais amor para dar.

Espero ter ajudado a você que esta passando por isso, a algum familiar que esta sofrendo com um ente amado.

Beijos, ate a próxima.



terça-feira, 27 de março de 2018

RELACIONAMENTOS ENTRE FAMILIA E O CÂNCER

Hoje vou falar também sobre relacionamentos com a família e o câncer.

Quando descobri o câncer, vi vários tipos de reações dentro da minha família, olhar triste, espanto, surpresa, medo e o vazio.
Acho que o pior de todos é o vazio.

Quando esperamos uma reação de otimismo e a pessoa não expressa nada.
Como tenho muitas pessoas ao redor que me acolhem, isso passou rápido, e até mesmo a pessoa que ficou sem reação mudou observando as pessoas.
Acho que o medo paralisa.
Quem esta dentro sente o que esta passando.
Mas e quem esta fora?

Quem vive na total ignorância dos fatos? E não tem cabeça para processar isso tudo.
Então, aprendi isso com a minha psicologa.
As vezes a pessoa ignora, porque não sabe o que fazer.
Tem medo de magoar e não tem conhecimento para conversar.
Aos poucos fui passando como funcionam as coisas.
Um dia mostrava um exame, no outro uma reportagem... E isso foi me fortalecendo também.
Obtive conhecimento e percebi um certo alívio da pessoa, ao perceber que eu estava reagindo.
Então a pessoa que antes ficava omissa, começa a pensar, porque não incentivar?

As vezes isso tem que partir de nós "os pacientes". É eu sei, muitos vão dizer.
Tenho todos esses problemas e ainda vou me preocupar com o que o outro pensa? hahaha.
Não estou falando apenas do outro.
Estou falando da sua mãe, sua irmã, sua sogra, seu filho, seu marido.. sim. Eles também podem se sentir acoados e com medo.
Eu passei por isso, sofri junto e descobri a forma de amenizar o sofrimento.
Acho que experiência é válida e quero compartilhar com vocês.
Sei que são muitos na minha situação.
Minhas colegas de tratamento, algumas perderam contato com parentes próximos e outras foram abandonadas pelos maridos... triste.

Então alguém me diz: Se me abandonar é porque não me ama.  
Difícil essa questão...
Algumas pessoas (com câncer) tem razão de pensar assim.
Já outras contribuem para o abandono.
Se tornam grosseiras, egoístas e pessimistas.

Nada esta bom, tudo incomoda, ninguém tem conhecimento do que ela passa.
E eu vou te contar uma coisa. Ninguem tem mesmo.
Mas isso não é motivo para stress.  E a ignorância não vai te ajudar a mostrar isso para ninguém.

Se coloque no lugar dessas pessoas uma vez.
Imagina você totalmente leiga referente a uma doença.
E de repente se vê ao lado de alguém que ama sofrendo.
Provavelmente você vai dizer, vou tentar de tudo para confortá-lo. Vou ler, tentar entender o que se passa e cuidar.
Mas você não está colocando nesse seu roteiro solidário a desesperança, o desespero e tudo que passa pela cabeça da pessoa que esta doente. Não é fácil.

Um nódulo, é motivo suficiente para pensar em velório, enterro e abandono...
Sim, o medo.

Câncer é uma doença que vai definhando de dentro para fora e isso começa lá na cabeça, nos pensamentos...

Com 3 anos de câncer, eu posso dizer que mudei muito e muito mesmo.
Deixei certos medos de lado e conheci novos.

Achei muito interessante a matéria na pagina da Dra .Fabíola.
Deem uma olhada:
https://www.drafabiolalatorre.com/single-post/2018/01/05/O-QUE-%C3%89-O-C%C3%82NCER-PERTO-DO-ABANDONO-VEJAM-O-RELATO-DA-NOSSA-CAT-MOR-a-Flavinha-Flores-%F0%9F%8C%B7-lhennnndaaaa

Um grande abraço. Deus no comando.


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